Oussama
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Ilustração de “WTF 3.0?”

Oussama Ammar

WTF 3.0?

Um dos maiores problemas relacionados a tudo que diz respeito à Web 3.0 é que as definições ficam confusas e as ideias se perdem na tradução. Por exemplo, se alguém nos pergunta o que é um NFT e nós apenas respondemos com um sorriso presunçoso que é um “token não fungível, duh” (como se tivéssemos usado a palavra ‘fungível’ antes de 2021), isso não ajuda ninguém. Além disso, a falta de definições claras cria esse ambiente turvo onde a maioria das pessoas pensa que NFT é uma imagem, e não a tecnologia subjacente. Então, vamos esclarecer o que realmente é a Web 3.0 e por que precisamos prestar atenção a isso.

A primeira World Wide Web era, em grande parte, um lugar para ler páginas estáticas. Depois, redes sociais e conteúdo criado pelos usuários tornaram a publicação amplamente acessível, enquanto concentravam dados e receitas nas plataformas. Essa tensão entre participação e controle torna relevante a questão da propriedade digital.

A Web 3.0 propõe dar aos usuários mais controle sobre ativos digitais. Registros em blockchain podem tornar verificáveis as alegações de propriedade e escassez, mas um registro não torna algo útil por si só. Os colecionáveis atraíram atenção. A pergunta duradoura é se esses sistemas dão a criadores e usuários mais controle sobre acesso, receita e transferência.

Pense nas informações médicas. São sensíveis e valiosas, mas a pessoa a quem se referem costuma ter pouco controle sobre seu acesso e uso. Um sistema que desse controle efetivo aos pacientes resolveria um problema concreto. O valor está nesse controle, com privacidade e consentimento que funcionem, e não numa previsão de tamanho de mercado.

O que me interessa são os direitos que as pessoas realmente ganham. Um token ou uma nova sigla são apenas meios. A propriedade digital importa quando muda o que alguém pode fazer com seu trabalho, suas informações ou um ativo pelo qual pagou.

Publicado originalmente no Daedalium.