Oussama
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Ilustração de “Festejar é um assunto muito sério”

Oussama Ammar

Festejar é um assunto muito sério

Ou por que o desprezo pela falta de seriedade é tão desprezível.

Publicado originalmente em francês na Flâneries Libres.

Nunca entendi o desprezo de algumas pessoas por empreendedores que comemoram uma rodada de investimento. Basta uma foto com algumas taças para um homem sério aparecer e explicar que eles ainda não ganharam nada. Só conquistaram o direito de continuar. Obrigado, eles estavam na sala na hora de assinar.

E, no entanto, também receberam recusas, defenderam seu projeto, negociaram, duvidaram e acabaram convencendo. Alguma coisa aconteceu. Por que seria preciso esperar para saber como a história inteira termina para ficar feliz por ter passado por uma de suas etapas?

Essa objeção vai muito além das rodadas de investimento. Ela expressa uma maneira de viver que considero triste: a alegria seria sempre prematura. Sempre restaria algum problema grave o suficiente para proibir qualquer comemoração. Como nunca faltam problemas, a proibição pode durar uma vida inteira.

Sempre haverá algo a fazer

Numa empresa, nunca chega o momento em que tudo está resolvido. Encontrar clientes cria problemas de entrega. Conseguir entregar permite crescer, e então é preciso aprender a trabalhar com mais gente. As dificuldades mudam conforme se avança. Se esperamos que desapareçam para comemorar, escolhemos uma atividade especialmente inadequada.

Consigo entender a desconfiança em relação a quem confunde um anúncio com uma realização. Conseguir dinheiro não prova que saberemos fazer algo com ele. Mas abrir uma garrafa não significa necessariamente ignorar isso. É possível estar feliz à noite e muito lúcido na manhã seguinte. Conheço gente capaz de se enganar permanecendo perfeitamente sóbria.

O que mais me incomoda é o adiamento permanente do momento em que finalmente teríamos o direito de aproveitar. Depois deste contrato. Depois desta contratação. Depois deste ano. Acabamos tratando o presente como uma sala de espera, com a ideia de que a vida de verdade começará quando o trabalho terminar.

Mas o trabalho já ocupa nossos dias. As pessoas com quem estamos construindo algo já fazem parte da nossa vida. Os anos que dedicamos a elas não serão devolvidos na saída. Tenho dificuldade em considerar razoável uma ambição que exige tratar todo esse tempo como mera preparação.

Gostar da vida que o trabalho nos faz viver

Gosto de projetos em que compartilhamos mais do que objetivos. Gosto das conversas que transbordam, das refeições que se estendem, das pessoas que ficam interessantes quando param de tentar ser úteis. Um futuro em que tudo fosse eficiente e ninguém tivesse vontade de jantar não me faz sonhar.

Podemos defender esses momentos explicando que eles melhoram a confiança ou que uma boa ideia pode surgir entre o queijo e a sobremesa. Isso acontece. Mas não quero ter que apresentar uma justificativa econômica toda vez que passo uma noite agradável. De tanto querer provar que a generosidade dá retorno, acabamos nos permitindo apenas a generosidade rentável.

Importa para mim saber com quem vou passar meus dias. Uma pessoa pode ser excelente no trabalho e me dar vontade de encurtar cada conversa. Outra pode me fazer gostar até das dificuldades que tentamos resolver juntos. Isso conta na escolha de uma aventura. Deveria contar antes mesmo de nos comprometermos por anos.

A festa dá um lugar visível a esse prazer de estar junto. Também permite parar por tempo suficiente para olhar o que foi feito. Durante o trabalho, nossa atenção vai naturalmente para o que falta. Quem corrige um problema logo descobre outro. Com o tempo, até uma equipe que avança pode ter a impressão de nunca realizar nada.

Reservar uma noite para comemorar dá o devido lugar aos esforços já feitos. Agradecemos a alguém de outra forma que não seja lhe passar imediatamente a próxima tarefa. O trabalho pode recomeçar amanhã sem que isso anule o que foi realizado hoje.

O castelo que fizemos bem em não comprar

Uma sócia e eu quisemos, certa vez, comprar um castelo para receber empreendedores. Gostávamos da ideia o suficiente para ir ver como ela era no mundo real. Havíamos sondado o interesse, visitado lugares, conhecido proprietários e passado tempo demais nas estradas.

Chegamos até a ficar presos numa floresta de tanto obedecer ao GPS em vez de olhar para a frente. Procurávamos um lugar para ajudar empreendedores a encontrar seu caminho. Estava claro que precisávamos de um pouco de prática.

O projeto não foi adiante. As obras, os custos e os telhados nos ensinaram a distância entre gostar de um castelo e administrá-lo. A realidade havia respondido ao nosso entusiasmo. Tínhamos feito bem em ouvi-la.

No entanto, quando penso nessa história, não vejo apenas uma compra que não aconteceu. Lembro de momentos extraordinários. Havíamos aprendido coisas e criado relações que foram úteis em outros contextos. Também tínhamos gostado de procurar juntos. Esse prazer não esperou a assinatura no cartório para existir.

Eu poderia vestir tudo isso de lição sobre o fracasso, explicar que cada desvio era necessário e que, no fundo, tínhamos ganhado. Seria conveniente demais. Parte desse tempo provavelmente poderia ter sido mais bem empregada. Não havíamos atingido o objetivo que tínhamos estabelecido. É preciso poder dizer isso sem apagar todo o resto.

Uma experiência pode fracassar em seu objetivo e continuar sendo preciosa numa vida. Por outro lado, algumas operações financeiramente bem-sucedidas me ensinaram muito pouco. O resultado visível e o valor do que foi vivido nem sempre coincidem. Confundi-los nos leva a embelezar nossos sucessos e a empobrecer a lembrança de tudo o que não deu certo.

Preservar o prazer e o discernimento

Essa distinção exige honestidade. Quando nos apegamos às pessoas e aos momentos que um projeto nos oferece, podemos querer prolongar o projeto para conservá-los. Então começamos a defender uma decisão ruim com lembranças muito boas.

O afeto não dispensa fazer as contas. Ter rido muito durante as visitas não torna um telhado mais barato. Uma empresa precisa produzir algo que outras pessoas queiram, em condições que permitam que ela continue. Se não conseguir, a qualidade dos jantares não resolve o problema.

Mas o discernimento precisa funcionar nos dois sentidos. Um mau negócio não transforma retrospectivamente cada encontro em erro. É possível encerrar uma atividade, reconhecer o que ela custou e continuar feliz por ter conhecido certas pessoas. Gostaria que soubéssemos encerrar melhor um projeto sem renegar os anos que vivemos nele.

E gostaria que pudéssemos festejar sem pedir que todos gostem da mesma vida. Algumas pessoas querem ir para casa. Têm filhos, amigos ou simplesmente querem que parem de encher o saco. Pedir que provem seu comprometimento ficando para jantar seria uma maneira estranha de defender a alegria. Uma festa à qual é preciso ir para ser bem-visto se parece muito com uma reunião.

O que busco está nessa liberdade. Poder trabalhar com intensidade, dizer com franqueza quando as coisas vão mal e ainda ter vontade de se encontrar quando ninguém exige. Não há nada a encenar. Temos o direito de nos orgulhar de uma etapa sem apresentá-la como um triunfo. Temos o direito de passar uma noite agradável enquanto o que vem a seguir continua incerto.

Não sei de antemão quais aventuras darão certo. Posso escolher uma parte das pessoas com quem as tento, a maneira como as trato e o espaço que deixo para o prazer no trabalho. Essas já são decisões importantes. Quando penso no castelo que não compramos, fico feliz por ter desistido do telhado. Fico igualmente feliz por ter feito a viagem.